ÁREAS DE SOLTURA

O que é uma área de soltura?

A Área de Soltura e Monitoramento foi criada com o intuito de devolver para o ambiente natural de origem os animais silvestres apreendidos por terem sidos retirados da natureza.


Requisitos

Uma área de soltura deve ser protegida e ter propícias condições para que a ave, ao longo do tempo, possa procurar o seu próprio alimento, sociabilizar-se e reproduzir-se de acordo com a biologia da espécie.

No Brasil, as autoridades ambientais exigem que um projeto seja elaborado com um estudo da área através do qual se possa avaliar alguns fatores importantes para uma área de soltura como o reconhecimento da fauna por meio de um levantamento das espécies existentes no local, para que se avaliem quais espécies reabilitadas poderão ser soltas na área, pois somente poderão ser soltas se na área ocorrerem aves nativas de sua espécie.

O levantamento de espécies botânicas também é importante para que se possam avaliar quais as plantas são utilizadas como recurso alimentar pelas aves e obter mais conhecimentos sobre as árvores utilizadas para fazer ninhos ou da preferência das aves para o dormitório. Dessa forma garante que após a soltura as aves tenham disponíveis esses recursos naturais.

O conhecimento da vegetação é importante para avaliar a disponibilidade de alimentos na área de soltura. É importante que a área tenha espécies vegetais que disponibilizem alimentos para que as aves após a soltura.
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Estrutura
Para a melhor adaptação das aves na área de soltura e monitoramento é necessário que haja um recinto adequado para a acomodação quando chegarem ao local.

Para as espécies de maior porte como os papagaios e tucanos, os recintos são construídos com madeira e telados com tela de aço galvanizado, permitindo que entre luminosidade e ventilação. O viveiro deve ter comedouros e bebedouros na parte interna permitindo a alimentação das aves enquanto estiverem se adaptando ao clima, vegetação e a fauna do local. Poleiros e galhos devem ser postos no recinto para melhor acomodação das aves. O recinto deve ter espaço para que as aves possam exercitar com treinos de voo.
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As aves de menor porte como os periquitos e os passarinhos, gaiolas suspensas estarão à disposição para a acomodação dessas espécies. Deve ter também comedouros, bebedouros, poleiros e galhos mantendo a ave bem acomodada e com espaço suficiente para que possa alçar voo durante o período de aclimatação.
 
O viveiro deverá ter porta permitindo a entrada no recinto e janelas que serão abertas junto com a porta no dia da soltura das aves.


Suporte alimentar

Para garantir a sobrevivência das aves após a soltura, é importante que durante os primeiros meses haja comida a disposição das espécies soltas.

Comedouros para a alimentação deverão ser fixados nas adjacências do recinto para que o alimento fique à disposição por um tempo, até que as aves tenham capacidade de buscar seu próprio alimento na natureza.

A importância de um levantamento de espécies vegetais permite que se possa conhecer mais sobre os hábitos alimentares das espécies e o levantamento faunístico mostra quais animais ocorrem no local. Com o levantamento faunístico e florístico podemos saber quais alimentos as espécies buscam e se há preferência durante a escolha dos itens alimentares.
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Manejo das aves na área de soltura

Quando as aves chegam à área de soltura, deverão ser imediatamente acomodadas no recinto em que permanecerão em período de aclimatação para se adaptar as condições da área e se recuperarem do estresse ocasionado pelo transporte.

Ao acomodar as aves no recinto, deve-se respeitar a quantidade de aves por viveiro para que não haja estresses e que todas possam se alimentar adequadamente.

O recinto deve ser bem ambientado com poleiros e deverá ter comida à disposição das aves logo que chegarem à ÁSM. Durante o período de ambientação no recinto da Área de Soltura e Monitoramento, as aves receberão a alimentação que tinham no Centro de Recuperação de Animais Silvestres BMATA junto com alimentos colhidos frescos na Área de Soltura.

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Embarque-Ibama-2011-5 Transporte e recepção das aves

As aves devem ser transferidas ao local de soltura acomodadas em caixas de transporte de forma a não se machucarem e não danificar o empenamento. A danificação das penas ou ferimentos causados pelo transporte pode se tornar um impeditivo à soltura, colocando o trabalho de meses em risco.

O Transporte é realizado com a Licença de Transporte, que é um documento expedido pelo IBAMA. Junto a Licença de Transporte, é importante que haja o Laudo Biológico e Veterinário que ateste as condições de saúde das aves.

Para obter o Laudo Biológico e Veterinário, ainda no plantel, são realizados exames clínicos e laboratoriais nas aves. Os que estiverem com resultados negativos estarão aptas para serem encaminhadas para a Área de Soltura e Monitoramento de Animais Silvestres após a emissão da Licença de Transporte pelo IBAMA.



Ninhos

O sucesso de uma soltura pode ser medido o número de aves que consigam sobreviver, se adaptar e se reproduzir na natureza. A reprodução significa que a espécie está adaptada e encontrou condições favoráveis para sua sobrevivência e procriação da espécie.

A área de soltura deverá ter ninhos artificiais instalados nas árvores com o objetivo de fornecer suporte para a nidificação. Os ninhos são de material resistente contra as intempéries que são a chuva e o sol. Além de ninhos artificiais existem os ninhos naturais já existentes em cavidades de árvores. Estes ninhos deverão ser preservados para que as espécies possam sempre retornar para se reproduzir.

É importante a instalação de caixas ninho para que sirva de abrigo e ninho para que haja o incentivo do incremento populacional através da reprodução, aumentando a espécie na natureza, principalmente para as espécies ameaçadas de extinção.



Área de soltura BMATA

A Área de Soltura e Monitoramento Associação Bichos da Mata (BMATA) está localizada em uma pequena área no município de Itanhaém, litoral sul de São Paulo. Foi homologada como Área de Soltura e Monitoramento com as atividades de soltura iniciadas em agosto de 2009.

Na Área de Soltura e Monitoramento BMATA são soltos aves de pequeno porte como os passarinhos que foram retirados ilegalmente da natureza. Essas aves resgatadas não podem ser soltas sem que haja uma recuperação de sua saúde e a adaptação  em seus ambientes naturais.

Na Área de Soltura e Monitoramento BMATA é o local onde essas aves são soltas após serem reabilitadas no Centro de Recuperação de Animais Silvestres Associação Bichos da Mata. As aves são monitoradas com critérios de acompanhamento, até que demonstrem capacidade de sobrevivência de modo que possa adquirir sozinhos seus próprios alimentos ou viver harmoniosamente com outras aves selvagens de sua espécie.
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Área de Soltura e Monitoramento Cachoeira das Pedras


A Área de Soltura e Monitoramento Cachoeira das Pedras foi homologada pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis-IBAMA em agosto de 2011.

A Área está localizada no município de Itanhaém, estando inserido no vale do Rio Preto tendo na adjacência o Parque Estadual da Serra do Mar, núcleo Curucutu. A ASM Cachoeira das Pedras fica afastada de centros urbanos sendo ampla e bem preservada com muitas espécies botânicas e de fauna nativas da Mata Atlântica, algumas até ameaçadas de extinção como é o caso do Papagaio-da-cara-roxa (Amazona brasiliensis).

Foi construído um amplo recinto para aves de médio e grande porte como os papagaios e recintos menores, suspensos para aves de pequeno porte como os passarinhos e periquitos. Comedouros externos foram fixados no chão para que as aves possam se alimentar por um período após serem soltas e conseguires buscar seu próprio alimento na natureza.

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