AVIÁRIO


Buscando melhorar as técnicas de reabilitação e possibilitar a soltura de um número cada vez maior de indivíduos, a BMATA vem ao longo dos anos realizando importante papel na conservação e proteção das aves, acolhendo as espécies que foram vítimas de maus-tratos ou apreendidas em ações contra o tráfico realizado por autoridades ambientais para recuperá-las para a soltura.
.

Em 2009, a BMATA solicitou o enquadramento de sua licença de Criadouro Conservacionista criada em 2003 para a categoria de CRAS - Centro de Recuperação de Animais Silvestres, em consonância à Instrução Normativa IBAMA 169, de 20 de fevereiro de 2008.

Além de amplos recintos para acomodar as aves, o CRAS possui instalações bem equipadas com um ambulatório, uma enfermaria, quarentena, sala de necropsia, sala de triagem, escritório e um espaço para reuniões e treinamento. Também estão sendo desenvolvidas cada vez mais parcerias estratégias para o aprimoramento das técnicas de manejo visando a ampliar o número de aves recuperadas para soltura.

Conheça as etapas de manejo visando à soltura de uma ave:

Recepção, triagem e quarentena das aves
 

As aves recepcionadas no Centro de Recuperação de Animais Silvestres Associação Bichos da Mata (CRAS-BMATA) são provenientes de outras instituições, tais como o Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS); mas, na maioria das vezes, chegam de apreensões por maus-tratos ou por manutenção indevida em cativeiro, ações que são contrárias à legislação vigente. Por esse motivo, essas aves necessitam de cuidados especiais.

O manejo voltado à soltura deve necessariamente começar durante a recepção da ave e não envolve somente os aspectos clínicos, mas também jurídicos. Desta forma, toda ave recepcionada na BMATA deve vir amparada por documento que expresse claramente que foi entregue pela autoridade ambiental para reabilitação e soltura. Criam-se, assim, mecanismos de proteção legal, já que não estão claros, na legislação brasileira, os aspectos que norteiam a posse do animal e a sua destinação após a apreensão. Nota-se que não é permitida a recepção de aves provenientes diretamente de pessoas físicas e de instituições não autorizadas.

Dando prosseguimento aos trâmites legais, deve ser feito o preenchimento da ficha de entrada, com a obtenção do histórico do animal, através da verificação do estado de higienização das gaiolas, do tipo de alimentação remanescente das mesmas, relatos verbais quanto às condições das aves no momento da apreensão e suas razões.

 

Quando a ave é recepcionada, recebe uma marcação individual que é realizada através de uma anilha, que circunda o tarso, e é um anel de material resistente, leve e tem uma numeração sequencial. Durante a recepção, também são realizados exames, para analisar as condições clínicas e biológicas da ave, como a verificação de infestação por ectoparasitas (piolhos), endoparasitas (vermes) e coleta de materiais biológicos para exames laboratoriais. A ave permanecerá por um período de até 15 dias na triagem. Os indivíduos que apresentarem boas condições de saúde serão encaminhados para o recinto de sua espécie, formando grupos que serão reabilitados, para ficarem aptos à soltura. As aves que apresentarem sintomas clínicos serão acomodadas na enfermaria, para receberem os cuidados especiais para que entrem no plantel, isentas de agentes patogênicos.


SB-2010 43 CRAS-BMATA-2010-78 CRAS-BMATA-2010-04-58 CRAS-BMATA-2010-04-60
Voltar ao início


O que é um Centro de Recuperação de Animais Silvestres (CRAS)?
 

O Centro de Recuperação de Animais Silvestres (CRAS) é um empreendimento autorizado pelo IBAMA, que tem a finalidade de receber os animais silvestres, identificar a espécie à qual eles pertencem, recuperá-los e prepará-los para os programas de soltura na natureza. Caso a ave não tenha mais condições, o Centro de Recuperação deverá dar o destino correto a ela, sempre priorizando o seu bem-estar e o direito de viver com grupos da mesma espécie.


O que é um Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS)?


O Centro de Triagem de Animais silvestres, conhecido como CETAS é um empreendimento que deve ser autorizado pelo IBAMA bem como o Centro de Recuperação de Animais Silvestres-CRAS e tem como finalidade receber e identificar o animal proveniente de maus-tratos e do
tráfico de animais silvestres dando os primeiros socorros e posteriormente encaminhar os animais para as instituições que trabalham com a reabilitação como os Centros de Recuperação de Animais Silvestres, onde receberá um tratamento diferenciado visando à reabilitação do animal.
Voltar ao início

Fase de reabilitação

O processo de reabilitação inicia-se com a readequação alimentar, com a seleção de alimentos balanceados e com uma dieta adequada as necessidades de cada ave para que tenha condições de ter uma adaptação melhor na fase seguinte, que é o agrupamento das aves e o preparo para a soltura.

Somente após esta readequação o animal poderá ser acomodado em viveiro junto com outras aves da mesma espécie, preparado para o desenvolvimento da musculatura e treinamento de voo.

Como protocolo sanitário, os viveiros e poleiros são borrifados com solução própria para a eliminação de formas parasitárias de vida livre. Além disto, os animais passam por exames para detecção de agentes etiológicos mais agressivos, como Doença de Pacheco, Salmonella e Clamídia, para que não haja proliferação de agentes contaminantes.

CRAS-BMATA-2008-42 CRAS-BMATA-2012-8 CRAS-BMATA-2011-8 IMG 0502
Voltar ao início


Manejo para a soltura

Neste estágio, a ave já terá passado por uma avaliação clínica e biológica verificando o estado de saúde e capacidade de voo, estará aceitando os alimentos oferecidos, estará interagindo com o grupo de sua espécie e não estará dependente do ser humano (dimunição do imprinting, ou seja, da humanização).

Estará, então, apta ao treinamento final para a soltura.
Durante esta fase, as aves são acomodadas em viveiros grandes, para que possam desenvolver a musculatura peitoral e serão integradas a um grupo maior, de 30 ou mais aves. Serão periodicamente examinadas para a pesquisa de ectoparasitas, hemoparasitas e endoparasitas e receberão o protocolo terapêutico com polivitamínicos e vermífugos com acompanhamento veterinário.


Estando aptas á soltura, deverá providenciar os documentos Legais que autorizem a destinação das aves da BMATA para a área de soltura.


Toda ave que houver sido tratada por um período maior que uma semana deve ser re-climatizada em viveiros expostos às condições externas antes de serem soltas.

Deve-se garantir que a plumagem da ave esteja em boas condições para o voo e que haja espaço suficiente para possibilitar às aves treino de voo para desenvolvimento do escore peitoral.

Apresentando bom empenamento, boa condição de voo e adaptação ao manejo, a ave estará liberada para a soltura após ter passado por exames clínicos e laboratoriais através de uma avaliação criteriosa para evitar-se a introdução de patógenos no ambiente de soltura e prejudicar as espécies de ocorrência do local, seguindo-se o protocolo estabelecido pela Instrução Normativa do IBAMA IN-179.

  • Clique aqui para saber mais sobre a IN-179

Voltar ao início

Instrução Normativa (IN) n°179

A Instrução Normativa n°179 foi criada pelo Instituto Brasileiro de Recursos Naturais Renováveis – IBAMA - no dia 25 de julho de 2008.

Essa Instrução Normativa surgiu devido à necessidade de melhorar a metodologia para os trabalhos de destinação de espécies apreendidas e resgatadas e devido à necessidade de evitar a introdução de espécies de animais que não possuem a ocorrência natural na área de soltura evitando prejudicar as espécies nativas que habitam.

A Instrução Normativa n°179 também recomenda por questão de segurança para os animais que serão soltos e para os selvagens que vivem na natureza que seja realizada alguns exames para detectar possíveis infecções que podem ocorrer como a Clamídia e a Influenza, por exemplo, evitando que haja problemas sanitários com a introdução de doenças que possam contaminar os animais que vivem soltos na natureza.
Voltar ao início


Aves aptas à soltura

A ave deve estar em boas condições de saúde, apresentando voo desempenho de voo, andar, enxergar bem os alimentos e predadores, alimentar-se, ter o empenamento completo nas asas e boa plumagem no corpo. As Aves que apresentarem problemas no bico como uma má formação ou bico quebrado não devem ser soltas até que haja a completa recuperação, pois isto afeta a sua capacidade de se alimentar, uma vez que o bico é fundamental para quebrar sementes, pegar insetos, tomar néctar das flores e pegar frutas.

Um manejo pré-soltura criterioso garante a adaptação às condições externas na natureza tornando as aves mais preparadas para que sobrevivam no habitat natural após a soltura.

As aves devem demonstrar comportamento próprio da espécie, interagindo com outras de sua espécie e evitar o contato como os humanos. Para isso as aves são avaliadas em relação ao grau de mansidão e domesticação. Durante todo o período de reabilitação e antes da soltura, devem ser realizadas biometrias nas aves que é o acompanhamento biológico para saber se ocorreu ganho ou perda de peso e quais as condições do escore peitoral, que é a avaliação do desenvolvimento da musculatura do peito. Esses fatores são indicadores importantes para determinar se a ave pode ser solta ou não.

O responsável técnico deve ter especial atenção com o comportamento da ave: ela não pode estar apática ou estressada a ponto de permanecer imóvel e encolhida em algum lugar do viveiro.

O nível do escore peitoral deve levar em consideração a espécie da ave. Espécies que voam longas distâncias, a exemplo, as araras, devem ter um escore peitoral apropriado à sua sobrevivência em vida livre. As condições do local de soltura também se mostram fundamentais para tal avaliação.
Voltar ao início



Eleição de Áreas de Soltura


A seleção da área de soltura é uma das etapas mais importantes para o projeto. O método mais utilizado para a soltura das aves é o “soft release” que significa “soltura branda”, ou seja, as portas e janelas do viveiro são abertas e as aves que estão dentro do viveiro saem aos poucos, voando para fora do recinto à medida que se sintam seguras para sair.

Com base na metodologia do trabalho, a escolha da área de soltura pressupõe que haja não só a ocorrência da espécie que será solta, mas também exige a construção de viveiros adaptados para acomodação das aves durante o período de ambientação bem como a manutenção de uma estrutura mínima para a garantia da sobrevivência das aves após a soltura através da instalação de comedouros próximos ao local dos viveiros para a inserção de alimentos durante um período mínimo ou mesmo permanentemente.

O local deve ter alimento suficiente para as aves e as condições necessárias à sua sobrevivência, sendo primordial a verificação de que a área tenha ocorrência da espécie.

Além disto, procura-se selecionar áreas que tenham a fauna e a flora dos locais bem preservados cujos proprietários tenham uma visão voltada à conservação e a proteção do meio ambiente em sua forma mais ampla promovendo a educação ambiental e ações de monitoramento voltadas à manutenção de segurança da área para evitar-se novas predações humanas.

A área de soltura deve ser segura, evitando-se lugares com um grande número de predadores ou outras condições não favoráveis, por exemplo, áreas muito urbanas, com grande chance de predação.
Voltar ao início


Transporte das aves

Para que sejam transportadas de maneira correta, o transporte deve ser acompanhado da Licença de Transporte que é um documento legal expedido pelo IBAMA para que autorize a saída das aves do Cento de Recuperação de Animais Silvestres para a Área de Soltura e Monitoramento. Antes de serem acomodadas na caixa, deverão ter suas anilhas conferidas com a numeração que consta na guia.

Junto com a Licença de Transporte, deverá conter o Laudo Biológico e Atestado Veterinário que indicam as condições clínicas e biológicas da ave atestando que estejam aptas a serem soltas.Cuidados com o transporte também são essenciais para a manutenção da ave em estado clínico estável, portanto, apto à soltura.

Assim sendo, mesmo para distâncias curtas, a ave deverá estar bem alimentada e o transporte deverá ser feito em caixas de transporte apropriadas de acordo com o tamanho da ave, de madeira ou material equivalente, com ventilação e espaço suficiente para as aves poderem se acomodar confortavelmente, sem machucar as asas.

Quando o transporte é realizado para distâncias mais longas, é ainda aconselhável a oferta de alimentos, que podem ser facilmente disponibilizadas em arames presos nas laterais na parte de dentro da caixa.
CRAS-BMATA-2013-06-26 Pantanal-N-2009-10-12 Pantanal-N-2009-10-33 Pantanal-N-2009-10-29 IMG 3450
Voltar ao início