SOLTURAS

O que é soltura?

Soltar não é simplesmente abrir gaiolas.
Nos programas de reintrodução, os indivíduos reabilitados e em boas condições clínicas e físicas devem ser soltos preferencialmente no seu local de origem e se não for possível que as aves voltem para seu local de origem, que sejam soltas em local seguro de ocorrência da espécie.

As espécies que tiverem comportamentos territoriais, em particular, devem ser priorizadas a soltura em seu local de origem. O local deve ter boa capacidade de suporte para as aves soltas, com alimento suficiente para o animal e as condições necessárias à sua biologia e à sua sobrevivência, sendo primordial a verificação de que a área tenha ocorrência da espécie.

A área de soltura deve ser segura, evitando-se lugares com um grande número de predadores ou outras condições não favoráveis, por exemplo, áreas muito urbanas, com grande chance de predação humana.
A soltura é importante para a conservação das espécies e do meio ambiente e deve ser realizada com critérios. Deve ser acompanhada por equipe de biólogos e veterinários e deve ter a autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis – IBAMA.

A soltura é uma estratégia de conservação que permite que possibilitem que os animais possam retornar ao ambiente de ocorrência após serem reabilitados minimizando o impacto resultante da captura desses animais na natureza, visando à recomposição das espécies capturadas ilegalmente.


Metodologia aplicada: SOFT RELEASE

Animais apreendidos no tráfico não podem ser simplesmente soltos sem antes passar pelas etapas de reabilitação no CRAS-BMATA. Quando as aves são encaminhadas para a soltura, estando aptas a viverem no seu habitat natural, elas são transportadas para a Área de Soltura e Monitoramento onde se inicia uma nova etapa e a escolha da metodologia de soltura.

A metodologia de eleição para o programa que o CRAS-BMATA tem adotado é o de “soft release”, que segue os critérios listados, igualmente recomendado pela Wildlife Information Network (www.wildlifeinformation.org), uma organização sem fins lucrativos de veterinários do The Royal Veterinay College no Reino Unido.
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A metodologia é especialmente importante para aves que nasceram em cativeiro e que permaneceram longo tempo em cativeiro e precisam aprender como sobreviver ao ambiente externo: encontrar alimentos, estar atenta a predadores.

A metodologia “soft-release”, conhecida como “soltura-branda” permite uma avaliação mais detalhada do indivíduo, de suas condições clínicas e físicas, ajudando a aumentar a taxa de sobrevivência após a soltura, pois o mesmo terá suporte até que consiga alimentar-se e procurar abrigo na área em que foi solto. As aves são transferidas para a Área de Soltura e Monitoramento e permanecem por um período pré-determinado em aclimatação no local para que possam fazer o reconhecimento de outras aves de sua espécie, se adaptar as condições climáticas e aos alimentos existentes na região.

No momento da soltura, as portas e janelas do recinto são abertas e as aves saem gradativamente conforme se sintam seguras. A metodologia “soft-release” permite que as aves possam sair aos poucos e fazer a exploração e o reconhecimento do local, a medida que se sintam seguras para isso, causando menos estresse para os animais.


Metodologia de soltura “HARD RELEASE”

A metodologia “hard release” é mais apropriada para aves que permaneceram pouco tempo em cativeiro e mantém suas características selvagens bem preservadas sendo capazes de sobreviver na natureza, ou que estão sendo devolvidos ao local em que estavam sendo capturados ilegalmente e foram salvas após a ação ilegal ter sido flagrada pela autoridade competente. Nesse caso as aves podem ser soltas através da metodologia “hard-release”, sendo devolvidas ao habitat natural após passar por uma análise clínica, sendo uma observação básica de seu estado corporal e de saúde.


SOLTURA DAS AVES

Embora a soltura das aves pareça ser uma tarefa fácil, a atividade exige um alto conhecimento e dedicação. Conhecer a biologia de cada espécie, o bioma em que será solta e o histórico do animal são de fundamental importância para o sucesso de qualquer programa de soltura.

Na chegada à área, as aves devem ser tranquilamente acomodadas nas novas instalações, onde serão ofertadas a alimentação a que estão acostumadas acrescidas de alimentos do local, para que possam localizar os alimentos na natureza mais facilmente.

Durante este período devem ser permanentemente observadas para verificação de seu estado clínico.

O período em que permanecem na área de soltura dependerá de cada espécie e das condições da área de soltura, conforme previsto no projeto.